Kaique Mitsuo Silva Yamamoto
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Agile / Scrum: guia prático completo

Por Equipe Wolfstoke • Janeiro 2025 • 15 min de leitura

Agile e Scrum são metodologias de desenvolvimento de software que revolucionaram a forma como equipes trabalham em projetos complexos. Originalmente criadas para o desenvolvimento de software, essas abordagens têm sido cada vez mais adotadas em diversos setores, incluindo fintechs e empresas de tecnologia financeira que desenvolvem plataformas de investimento, sistemas de trading e aplicações financeiras.

No contexto da Wolfstoke e de outras plataformas de tecnologia financeira, entender Agile e Scrum é fundamental para compreender como produtos tecnológicos são desenvolvidos, melhorados e entregues aos usuários. Este guia completo explora essas metodologias em profundidade, desde seus fundamentos até aplicações práticas no setor financeiro.

O que são Agile e Scrum?

Agile: Uma Filosofia de Desenvolvimento

Agile (do inglês "ágil") é uma filosofia e conjunto de princípios para desenvolvimento de software que valoriza a colaboração, a adaptabilidade e a entrega incremental de valor ao cliente. Diferente de uma metodologia prescritiva, Agile é uma mentalidade que enfatiza respostas rápidas a mudanças, comunicação frequente e entrega contínua de software funcional.

A essência do Agile está em sua capacidade de responder rapidamente às mudanças nos requisitos do cliente, priorizando a entrega de valor em ciclos curtos ao invés de planos extensos e documentação detalhada que podem se tornar obsoletos rapidamente.

Scrum: Um Framework Ágil

Scrum é um framework específico dentro da filosofia Agile. Enquanto Agile representa os valores e princípios gerais, Scrum fornece uma estrutura prática com papéis definidos, eventos (cerimônias) e artefatos para organizar o trabalho. Scrum é uma das implementações mais populares de Agile, especialmente adequada para projetos complexos onde os requisitos podem mudar durante o desenvolvimento.

A palavra "Scrum" vem do rugby, onde representa uma formação em que o time trabalha junto para avançar a bola. No contexto de desenvolvimento de software, Scrum representa uma equipe trabalhando junta para entregar valor de forma incremental.

História e Origem

As Raízes do Agile

A necessidade por metodologias ágeis surgiu em resposta aos problemas das metodologias tradicionais de desenvolvimento, conhecidas como "cascata" (waterfall), onde o projeto segue fases sequenciais rígidas: requisitos → design → implementação → testes → manutenção.

Os problemas das metodologias tradicionais incluíam:

  • Longos ciclos de desenvolvimento antes de qualquer entrega
  • Dificuldade em adaptar-se a mudanças de requisitos
  • Falta de feedback do cliente até o final do projeto
  • Alta taxa de projetos que falhavam ou não atendiam às expectativas

O Manifesto Ágil (2001)

Em fevereiro de 2001, dezessete desenvolvedores de software se reuniram em Snowbird, Utah, para discutir métodos de desenvolvimento. Entre eles estavam Ken Schwaber e Jeff Sutherland, que posteriormente popularizariam o Scrum. Desse encontro nasceu o Manifesto para Desenvolvimento Ágil de Software, um documento que estabeleceu os valores fundamentais do movimento Agile.

O Manifesto Ágil declara:

"Estamos descobrindo maneiras melhores de desenvolver software, fazendo-o nós mesmos e ajudando outros a fazerem o mesmo. Por meio deste trabalho, passamos a valorizar:

Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

Software funcionando mais que documentação abrangente

Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos

Responder a mudanças mais que seguir um plano

Ou seja, mesmo havendo valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à esquerda."

Além desses valores, o Manifesto estabeleceu doze princípios fundamentais que guiam a prática ágil. Esses princípios enfatizam a satisfação do cliente através de entregas frequentes, aceitação de mudanças, colaboração diária entre desenvolvedores e stakeholders, e confiança nas pessoas e sua capacidade de se auto-organizar.

A Origem do Scrum

Embora o termo "Scrum" tenha sido popularizado no contexto do Manifesto Ágil de 2001, seus conceitos têm raízes mais antigas. Em 1986, Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka publicaram um artigo na Harvard Business Review intitulado "The New New Product Development Game", onde usaram a metáfora do Scrum do rugby para descrever uma abordagem de desenvolvimento de produto mais flexível e colaborativa.

Ken Schwaber e Jeff Sutherland desenvolveram formalmente o framework Scrum nos anos 1990, apresentando-o publicamente em 1995 na conferência OOPSLA (Object-Oriented Programming, Systems, Languages & Applications). Desde então, o Scrum tem evoluído, com atualizações importantes no Guia Scrum (Scrum Guide), a última grande atualização sendo em 2020, quando o framework foi simplificado e tornou-se menos prescritivo.

Valores e Princípios do Agile

Os Quatro Valores do Manifesto Ágil

  1. Indivíduos e interações sobre processos e ferramentas: Valoriza as pessoas e como elas trabalham juntas, reconhecendo que ferramentas e processos são importantes, mas secundários à comunicação e colaboração efetivas.

  2. Software funcionando sobre documentação abrangente: Prioriza entregar software que funciona, reconhecendo que documentação é útil, mas não substitui um produto que atende às necessidades do usuário.

  3. Colaboração com o cliente sobre negociação de contratos: Enfatiza parceria e comunicação contínua com o cliente, ao invés de relações contratuais rígidas.

  4. Responder a mudanças sobre seguir um plano: Reconhece que mudanças são inevitáveis e valiosas, priorizando adaptabilidade sobre aderência rígida a planos iniciais.

Os Doze Princípios Ágeis

Os doze princípios do Manifesto Ágil fornecem orientação prática para implementar os valores:

  1. Priorizar a satisfação do cliente através da entrega contínua de software valioso
  2. Aceitar mudanças de requisitos, mesmo tardiamente no desenvolvimento
  3. Entregar software funcionando frequentemente, em intervalos curtos
  4. Promover colaboração diária entre desenvolvedores e stakeholders
  5. Construir projetos em torno de indivíduos motivados, dando-lhes o ambiente e suporte necessários
  6. Priorizar comunicação face a face como forma mais eficiente de transmitir informação
  7. Medir o progresso através de software funcionando
  8. Promover processos sustentáveis - patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter um ritmo constante indefinidamente
  9. Dar atenção contínua à excelência técnica e bom design
  10. Simplificar - maximizar a quantidade de trabalho não feito
  11. Reconhecer que as melhores arquiteturas, requisitos e designs emergem de equipes auto-organizadas
  12. Refletir regularmente sobre como se tornar mais eficaz e ajustar comportamentos

Framework Scrum: Estrutura Detalhada

Scrum organiza o trabalho em ciclos curtos chamados Sprints (normalmente de 1 a 4 semanas), durante os quais a equipe trabalha para entregar um incremento funcional do produto. O framework é construído sobre três pilares fundamentais e define papéis, eventos e artefatos específicos.

Os Três Pilares do Scrum

  1. Transparência: Todos os aspectos significativos do processo devem ser visíveis para aqueles responsáveis pelos resultados. Isso inclui transparência sobre o trabalho, processos, artefatos e impedimentos.

  2. Inspeção: Os artefatos do Scrum e o progresso em direção aos objetivos devem ser inspecionados com frequência para detectar variações indesejadas. A inspeção deve ser realizada por pessoas qualificadas nos momentos apropriados.

  3. Adaptação: Se a inspeção revelar que algum aspecto do processo está fora dos limites aceitáveis, ajustes devem ser feitos o mais rápido possível para minimizar desvios adicionais.

Esses três pilares trabalham juntos para criar um ciclo de feedback contínuo que permite à equipe aprender e melhorar constantemente.

Papéis no Scrum

O Scrum define três papéis principais, cada um com responsabilidades distintas:

Product Owner (Dono do Produto)

O Product Owner é responsável por maximizar o valor do produto resultante do trabalho da equipe Scrum. É uma pessoa, não um comitê, e representa os interesses de todos os stakeholders.

Responsabilidades principais:

  • Gerenciar e manter o Product Backlog (lista de requisitos do produto)
  • Priorizar itens do backlog com base no valor para o negócio
  • Garantir que a equipe compreenda os itens do backlog
  • Decidir quando entregar releases do produto
  • Tomar decisões sobre o que será construído
  • Representar a voz do cliente e stakeholders

O Product Owner deve ter autoridade para tomar decisões sobre o produto e deve estar disponível para a equipe responder perguntas e esclarecer requisitos. Em plataformas fintech como a Wolfstoke, o Product Owner geralmente trabalha em estreita colaboração com especialistas financeiros, reguladores e usuários para garantir que os recursos desenvolvidos atendam às necessidades do mercado.

Scrum Master

O Scrum Master é responsável por garantir que o Scrum seja compreendido e aplicado corretamente. Atua como facilitador, coach e removedor de impedimentos, mas não como gerente tradicional.

Responsabilidades principais:

  • Facilitar eventos Scrum (cerimônias)
  • Remover impedimentos que bloqueiam a equipe
  • Proteger a equipe de interferências externas
  • Coletar o time de desenvolvimento e Product Owner sobre práticas Scrum
  • Ajudar a equipe a melhorar continuamente
  • Garantir que a equipe siga os valores e práticas do Scrum

O Scrum Master não gerencia a equipe ou toma decisões técnicas; em vez disso, cria um ambiente onde a equipe pode ser auto-organizada e eficaz. Um bom Scrum Master é um líder servidor que coloca as necessidades da equipe acima das suas próprias.

Equipe de Desenvolvimento (Development Team)

A Equipe de Desenvolvimento é um grupo auto-organizado e multifuncional responsável por entregar incrementos funcionais do produto a cada Sprint.

Características principais:

  • Auto-organização: A equipe decide como realizar o trabalho, não recebe instruções detalhadas
  • Multifuncionalidade: Possui todas as competências necessárias para entregar o produto
  • Tamanho ideal: Geralmente entre 3 e 9 pessoas (recomendado por Ken Schwaber e Jeff Sutherland)
  • Trabalho coletivo: Compartilha responsabilidade pelo resultado do Sprint

A equipe de desenvolvimento em uma fintech pode incluir desenvolvedores, engenheiros de QA (Quality Assurance), designers UX/UI, especialistas em segurança, arquitetos de software e outros profissionais necessários para entregar software de alta qualidade para o setor financeiro.

Eventos do Scrum (Cerimônias)

O Scrum organiza o trabalho em Sprints através de eventos formais que criam regularidade e oportunidades de inspeção e adaptação:

Sprint

O Sprint é o coração do Scrum - um período de tempo fixo (geralmente 1 a 4 semanas, mais comumente 2 semanas) durante o qual a equipe trabalha para entregar um incremento funcional do produto. Um Sprint tem duração fixa e não pode ser estendido ou encurtado uma vez iniciado.

Características de um Sprint:

  • Tem duração consistente (time-boxed)
  • Começa imediatamente após o Sprint anterior
  • Contém todos os outros eventos Scrum
  • Produz um incremento potencialmente entregável do produto

Durante um Sprint, nenhuma mudança que coloque em risco o objetivo do Sprint pode ser feita. Se surgirem novas prioridades ou requisitos urgentes, eles são adicionados ao Product Backlog para serem considerados no próximo Sprint.

Para saber mais sobre Sprints, leia nosso artigo: Sprints: guia prático.

Planejamento do Sprint (Sprint Planning)

O Planejamento do Sprint é uma reunião de até 8 horas (para Sprints de um mês) onde a equipe define o que será feito no Sprint e como será feito.

Duas partes principais:

  1. O que será feito?

    • Product Owner apresenta o Product Backlog priorizado
    • Equipe seleciona itens que podem ser completados no Sprint
    • Define o Objetivo do Sprint (Sprint Goal)
  2. Como será feito?

    • Equipe quebra itens selecionados em tarefas técnicas
    • Estima o esforço necessário
    • Cria o Sprint Backlog

O resultado do planejamento é um Sprint Backlog que a equipe se compromete a entregar, junto com um plano de como fazê-lo.

Scrum Diário (Daily Scrum)

O Scrum Diário (também chamado de Daily Standup) é uma reunião de 15 minutos realizada no mesmo horário e local todos os dias durante o Sprint.

Formato tradicional (três perguntas):

  • O que fiz ontem?
  • O que farei hoje?
  • Há algum impedimento?

Propósito:

  • Sincronizar o trabalho da equipe
  • Identificar impedimentos rapidamente
  • Promover comunicação e transparência
  • Não é um relatório de status para o gerente, mas uma sincronização entre pares

A reunião deve ser rápida e focada. Discussões técnicas detalhadas são deixadas para depois da reunião. O Scrum Master facilita e garante que a reunião não ultrapasse 15 minutos.

Para mais informações, consulte: Daily Standups: guia prático.

Revisão do Sprint (Sprint Review)

A Revisão do Sprint é uma reunião informal de até 4 horas (para Sprints de um mês) realizada no final do Sprint, onde a equipe apresenta o trabalho concluído aos stakeholders.

Objetivos:

  • Demonstrar o incremento do produto desenvolvido
  • Obter feedback dos stakeholders
  • Discutir o que foi feito e o que não foi feito
  • Colaborar sobre o que fazer a seguir
  • Atualizar o Product Backlog com base no feedback

A revisão não é uma apresentação formal, mas sim uma colaboração onde stakeholders podem ver o software funcionando, fazer perguntas e sugerir mudanças. O feedback coletado influencia o próximo Sprint Planning.

Retrospectiva do Sprint (Sprint Retrospective)

A Retrospectiva do Sprint é uma reunião de até 3 horas (para Sprints de um mês) realizada após a Revisão do Sprint, onde a equipe reflete sobre o Sprint que terminou e identifica melhorias.

Estrutura típica:

  • O que funcionou bem?
  • O que pode ser melhorado?
  • Quais ações serão tomadas?

A retrospectiva é focada no processo, não no produto. É um espaço seguro para a equipe discutir problemas, celebrar sucessos e se comprometer com melhorias concretas para o próximo Sprint. O Scrum Master facilita a reunião e garante que ações sejam definidas e responsabilidades atribuídas.

Artefatos do Scrum

Os artefatos do Scrum representam trabalho ou valor e foram projetados para maximizar a transparência:

Product Backlog

O Product Backlog é uma lista ordenada de tudo que é necessário no produto. É a única fonte de requisitos para qualquer mudança no produto.

Características:

  • Mantido pelo Product Owner
  • Dinâmico e sempre em evolução
  • Ordenado por prioridade (itens mais importantes no topo)
  • Detalhado o suficiente para o item mais prioritário (os de baixo podem ser mais vagos)
  • Contém itens de diferentes tipos: features, melhorias, correções de bugs, trabalho técnico

Estrutura típica de um item (User Story):

  • Título descritivo
  • Descrição do que é necessário
  • Critérios de aceitação
  • Estimativa de esforço (geralmente em Story Points)
  • Ordem de prioridade

Em plataformas fintech, o Product Backlog pode incluir features como novas funcionalidades de trading, melhorias em segurança, conformidade regulatória, otimizações de performance, integrações com corretoras e melhorias na experiência do usuário.

Para entender melhor User Stories, veja: User Stories: guia prático.

Sprint Backlog

O Sprint Backlog é o conjunto de itens do Product Backlog selecionados para o Sprint atual, mais um plano para entregar o incremento do produto e alcançar o Objetivo do Sprint.

Componentes:

  • Itens do Product Backlog selecionados
  • O Objetivo do Sprint
  • O plano para entregar os itens selecionados

O Sprint Backlog é propriedade da equipe de desenvolvimento e pode ser atualizado durante o Sprint conforme a equipe aprende mais sobre o trabalho. É altamente visível e geralmente mantido em um quadro (físico ou digital) que mostra o progresso do trabalho.

Incremento

O Incremento é a soma de todos os itens do Product Backlog completados durante o Sprint e os incrementos de todos os Sprints anteriores. Ao final de um Sprint, o novo incremento deve estar em um estado "pronto", ou seja, deve estar funcional e de acordo com a Definição de Pronto da equipe.

Definição de Pronto (Definition of Done): Cada equipe define seus próprios critérios de "pronto", que podem incluir:

  • Código revisado (veja: Code Reviews: guia prático)
  • Testes escritos e passando
  • Documentação atualizada
  • Integrado e testado em ambiente de staging
  • Aprovado pelo Product Owner
  • Sem bugs críticos conhecidos

O incremento deve ser utilizável e potencialmente entregável, mesmo que o Product Owner decida não fazer o release imediatamente.

Valores do Scrum

Além dos valores do Manifesto Ágil, o Scrum define cinco valores específicos que devem ser vividos pelos membros da equipe:

  1. Coragem: Membros da equipe têm coragem para fazer a coisa certa e trabalhar em problemas difíceis
  2. Foco: Todos focam no trabalho do Sprint e nos objetivos da equipe
  3. Comprometimento: Pessoas se comprometem pessoalmente a alcançar os objetivos da equipe
  4. Respeito: Membros da equipe respeitam uns aos outros como pessoas capazes e independentes
  5. Abertura: A equipe e seus stakeholders concordam em serem abertos sobre todo o trabalho e desafios

Esses valores guiam o comportamento da equipe e criam um ambiente de confiança e colaboração essencial para o sucesso do Scrum.

Agile e Scrum no Contexto Fintech

No setor financeiro e fintech, Agile e Scrum oferecem vantagens significativas, mas também apresentam desafios únicos:

Vantagens no Setor Financeiro

Resposta Rápida a Mudanças Regulatórias: O setor financeiro é altamente regulado, e mudanças nas regulamentações podem exigir atualizações rápidas no software. Metodologias ágeis permitem que equipes respondam rapidamente a essas mudanças.

Entrega Contínua de Valor: Plataformas financeiras precisam evoluir constantemente para atender às necessidades dos usuários e competir no mercado. Sprints curtos permitem entregas frequentes de melhorias e novas funcionalidades.

Gestão de Riscos Técnicos: Em software financeiro, bugs podem ter consequências sérias. As práticas ágeis, incluindo testes contínuos e code reviews regulares, ajudam a identificar e corrigir problemas rapidamente.

Colaboração Multidisciplinar: Desenvolvimento de plataformas financeiras requer colaboração entre desenvolvedores, especialistas financeiros, profissionais de compliance, designers UX e outros. O Scrum facilita essa colaboração através de eventos estruturados.

Desafios no Setor Financeiro

Requisitos de Compliance e Auditoria: O setor financeiro tem requisitos rigorosos de documentação e auditoria. Equipes ágeis precisam encontrar um equilíbrio entre agilidade e documentação necessária para compliance.

Segurança e Confiabilidade: Software financeiro deve ser extremamente seguro e confiável. Isso pode exigir processos de desenvolvimento mais rigorosos, incluindo revisões de segurança extensivas e testes abrangentes.

Integração com Sistemas Legados: Muitas empresas financeiras trabalham com sistemas legados que podem ser difíceis de integrar com processos ágeis. Isso requer planejamento cuidadoso e, às vezes, adaptação das práticas ágeis.

Sprints Longos para Features Complexas: Algumas funcionalidades financeiras podem ser muito complexas para completar em um Sprint curto. Equipes podem precisar usar Sprints mais longos ou quebrar funcionalidades grandes em entregas menores.

Como Usar Agile/Scrum na Prática

Para Investidores Avaliando Plataformas de Tecnologia

Quando você está avaliando uma plataforma de investimento ou fintech, entender que a empresa usa Agile/Scrum pode indicar:

Desenvolvimento Contínuo: A plataforma provavelmente recebe atualizações e melhorias regulares, ao invés de releases raros e grandes.

Responsividade a Feedback: A metodologia ágil prioriza feedback do usuário, então a plataforma pode ser mais receptiva a sugestões e problemas reportados.

Qualidade Incremental: O foco em entregas incrementais com qualidade (Definição de Pronto) sugere que a empresa valoriza software estável e funcional.

Inovação Iterativa: Features novas são desenvolvidas e testadas em ciclos curtos, permitindo que a empresa aprenda rapidamente e ajuste a direção conforme necessário.

Para Equipes de Desenvolvimento

Se você trabalha ou está considerando trabalhar em uma empresa que usa Agile/Scrum:

Aprendizado Contínuo: Você terá oportunidades regulares de aprender através de retrospectivas, code reviews e colaboração diária.

Visibilidade do Trabalho: O trabalho é transparente através de backlogs, quadros de Sprint e cerimônias regulares.

Autonomia e Responsabilidade: Equipes Scrum são auto-organizadas, oferecendo mais autonomia, mas também mais responsabilidade pelos resultados.

Foco no Valor: O trabalho é organizado por valor para o cliente, não apenas por tarefas técnicas, ajudando a entender o impacto do seu trabalho.

Práticas Complementares ao Scrum

Scrum funciona melhor quando combinado com outras práticas de desenvolvimento ágil:

Test-Driven Development (TDD)

Test-Driven Development é uma prática onde testes são escritos antes do código de produção. Isso ajuda a garantir qualidade e permite refatoração segura.

Para mais detalhes, leia: TDD (Test-Driven Development): guia prático.

Code Reviews

Code Reviews são revisões sistemáticas de código por outros membros da equipe antes de integrar mudanças ao código principal. Ajudam a melhorar qualidade, compartilhar conhecimento e manter padrões de código.

Veja: Code Reviews: guia prático.

Continuous Integration / Continuous Deployment (CI/CD)

Embora o Scrum não prescreva CI/CD, a prática de integrar código frequentemente e fazer deploys regulares complementa perfeitamente o Scrum, permitindo entregas incrementais reais.

Minimum Viable Product (MVP)

O conceito de MVP alinha-se perfeitamente com a filosofia ágil de entregar valor rapidamente. Em vez de construir uma solução completa, equipes focam em entregar a versão mínima que resolve o problema do usuário.

Saiba mais: MVP (Minimum Viable Product): guia prático.

Vantagens e Benefícios

Vantagens do Agile/Scrum

Flexibilidade e Adaptabilidade: Equipes podem responder rapidamente a mudanças de requisitos, mercado ou tecnologia.

Entrega de Valor Mais Rápida: Clientes começam a receber valor desde os primeiros Sprints, não apenas no final do projeto.

Maior Transparência: Stakeholders têm visibilidade constante do progresso através de cerimônias e artefatos.

Melhor Qualidade: Foco em testes, code reviews e Definição de Pronto ajuda a entregar software de maior qualidade.

Maior Satisfação da Equipe: Equipes auto-organizadas e com autonomia geralmente relatam maior satisfação no trabalho.

Redução de Riscos: Entregas incrementais permitem identificar problemas mais cedo, quando são mais fáceis e baratos de corrigir.

Melhoria Contínua: Retrospectivas regulares criam um ciclo de aprendizado e melhoria constante.

Foco no Cliente: Priorização por valor garante que as coisas mais importantes para o cliente sejam feitas primeiro.

Desvantagens e Limitações

Desafios do Agile/Scrum

Mudança Cultural Necessária: Organizações acostumadas com metodologias tradicionais podem ter dificuldade em adotar os valores e práticas ágeis.

Requisito de Comprometimento: Scrum requer comprometimento real da equipe e organização; implementação superficial ("ScrumBut") geralmente falha.

Menos Previsibilidade de Longo Prazo: Sprints focam no curto prazo, tornando estimativas de longo prazo menos precisas (embora frequentemente mais realistas).

Necessidade de Colaboração Constante: Requer comunicação frequente e presença do Product Owner, o que pode ser desafiador em equipes distribuídas.

Pode Ser Menos Eficiente para Projetos Simples: Para projetos pequenos ou muito simples, a estrutura do Scrum pode ser excessiva.

Custos Iniciais de Aprendizado: Equipes e organizações precisam investir tempo em aprendizado e ajuste, especialmente no início.

Dificuldade com Requisitos Muito Claros e Estáveis: Se os requisitos são completamente conhecidos e não vão mudar, metodologias tradicionais podem ser mais eficientes.

Riscos e Cuidados

Armadilhas Comuns

ScrumBut - "Fazemos Scrum, mas...": Implementar apenas partes do Scrum ou fazer "Scrum" sem seguir os valores fundamentais geralmente resulta em fracasso. É importante implementar Scrum completo e corretamente, ou não fazer Scrum de todo.

Product Owner Ausente ou Ineficaz: Um Product Owner que não está disponível para a equipe, não tem autoridade para tomar decisões, ou não mantém o backlog priorizado corretamente, pode levar o Scrum ao fracasso.

Sprints Sem Entrega Real: Se a equipe não consegue entregar incrementos funcionais a cada Sprint, o valor do Scrum é comprometido. Pode ser necessário encurtar Sprints, quebrar itens em pedaços menores, ou melhorar a definição de pronto.

Retrospectivas Sem Ação: Se a equipe não implementa melhorias identificadas nas retrospectivas, o processo de melhoria contínua é interrompido. É importante focar em ações concretas e pequenas, não apenas discutir problemas.

Micromanagement Disfarçado: Scrum Masters ou gerentes que usam cerimônias Scrum para microgerenciar a equipe violam o princípio de auto-organização e geralmente destroem a eficácia do Scrum.

Foco Excessivo em Velocidade: Embora medir velocidade possa ser útil, focar apenas em aumentar a velocidade pode levar a qualidade reduzida e equipe esgotada.

Quando Agile/Scrum Pode Não Ser Adequado

Scrum pode não ser a melhor escolha quando:

  • Requisitos são completamente conhecidos e estáveis
  • O projeto é muito simples ou muito pequeno
  • A organização não está disposta a mudar sua cultura
  • Stakeholders não podem participar ativamente do processo
  • A equipe não tem as habilidades necessárias para ser auto-organizada
  • O projeto tem deadline fixo e rígido com escopo não-negociável

Mitigação de Riscos

Investimento em Educação: Garanta que toda a equipe e stakeholders entendam Agile/Scrum antes de começar.

Coach ou Scrum Master Experiente: Ter alguém com experiência real em Scrum pode evitar muitos problemas comuns.

Começar Pequeno: Implementar Scrum em uma equipe piloto antes de expandir para toda a organização.

Paciência e Persistência: Mudança leva tempo. Não desista após os primeiros Sprints desafiadores.

Foco em Valores, Não Apenas Práticas: Entender e viver os valores do Agile/Scrum é mais importante do que seguir cerimônias mecanicamente.

Métricas e Medição no Scrum

Embora o Scrum não prescreva métricas específicas, equipes frequentemente usam métricas para melhorar:

Velocidade

Velocidade é a quantidade de trabalho que uma equipe completa em um Sprint, geralmente medido em Story Points ou horas. Velocidade é útil para planejamento futuro, mas deve ser usada com cuidado:

  • Não deve ser usada para comparar equipes diferentes
  • Não deve ser usada para pressionar a equipe
  • É uma ferramenta de planejamento, não de avaliação individual

Burn-down Charts

Gráficos que mostram o trabalho restante ao longo do Sprint, ajudando a identificar se a equipe está no caminho para completar o Sprint.

Lead Time e Cycle Time

Lead Time: Tempo desde que uma ideia é proposta até ser entregue ao usuário Cycle Time: Tempo desde que o trabalho começa até ser completado

Essas métricas ajudam a entender o fluxo de trabalho e identificar gargalos.

Taxa de Entrega

Percentual de itens que são realmente entregues ao usuário (não apenas completados tecnicamente) em relação aos planejados.

Agile/Scrum e Outros Frameworks Ágeis

Embora Scrum seja o framework ágil mais popular, existem outros:

Kanban

Kanban é um método de gerenciamento de fluxo que visualiza trabalho, limita trabalho em progresso (WIP) e gerencia fluxo. Diferente do Scrum, Kanban não tem Sprints fixos ou cerimônias obrigatórias. Algumas equipes combinam Scrum e Kanban (Scrumban).

Extreme Programming (XP)

Extreme Programming (XP) é uma metodologia ágil focada em práticas de engenharia de software como programação em pares, TDD, integração contínua e refatoração. Pode ser usado junto com Scrum.

SAFe (Scaled Agile Framework)

SAFe é um framework para escalar práticas ágeis para grandes organizações com múltiplas equipes. Combina Scrum e outras práticas ágeis em uma estrutura organizacional maior.

LeSS (Large-Scale Scrum)

LeSS é um framework para escalar Scrum para múltiplas equipes trabalhando no mesmo produto.

Recursos Adicionais e Fontes

Documentação Oficial

  • Scrum Guide: O guia oficial do Scrum, mantido por Ken Schwaber e Jeff Sutherland. Disponível em scrumguides.org
  • Manifesto Ágil: O manifesto original de 2001. Disponível em agilemanifesto.org

Certificações

  • Scrum.org: Oferece certificações como Professional Scrum Master (PSM) e Professional Scrum Product Owner (PSPO)
  • Scrum Alliance: Oferece certificações como Certified ScrumMaster (CSM) e Certified Scrum Product Owner (CSPO)
  • PMI-ACP: Project Management Institute - Agile Certified Practitioner

Comunidades e Recursos

  • Comunidades locais de Agile/Scrum em muitas cidades
  • Conferências como Agile Alliance Conference, Scrum Gathering
  • Livros clássicos como "Scrum: The Art of Doing Twice the Work in Half the Time" de Jeff Sutherland

Conclusão

Agile e Scrum representam uma mudança fundamental na forma como equipes desenvolvem software e gerenciam projetos. Para o setor fintech e plataformas de tecnologia financeira como a Wolfstoke, essas metodologias oferecem uma estrutura poderosa para desenvolver produtos que precisam evoluir rapidamente, atender a requisitos regulatórios complexos e fornecer valor contínuo aos usuários.

Entender Agile e Scrum é importante não apenas para desenvolvedores, mas também para investidores, usuários e stakeholders que interagem com plataformas de tecnologia. Essas metodologias influenciam como produtos são desenvolvidos, melhorados e entregues, impactando diretamente a experiência do usuário e o valor da plataforma.

A chave para o sucesso com Agile/Scrum não está em seguir mecanicamente as práticas, mas em entender e viver os valores fundamentais: colaboração, adaptabilidade, foco no cliente e melhoria contínua. Quando implementado corretamente, Agile/Scrum pode transformar não apenas o processo de desenvolvimento, mas toda a cultura organizacional, resultando em equipes mais eficazes, produtos melhores e maior satisfação para todos os envolvidos.


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Aviso Legal: Este conteúdo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui recomendação de investimento. As informações sobre metodologias de desenvolvimento são apresentadas para fins informativos. A implementação de metodologias ágeis deve ser feita com suporte adequado e consideração do contexto específico de cada organização.

Fontes Consultadas:

  • Scrum Guide 2020 (scrumguides.org)
  • Manifesto para Desenvolvimento Ágil de Software (agilemanifesto.org)
  • Atlassian - O que é Scrum (atlassian.com/agile/scrum)
  • Scrum.org - Recursos e documentação oficial
  • Wikipedia - Scrum e Agile

Data de Publicação: Janeiro 2025
Próxima Revisão: Janeiro 2026

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