Kaique Mitsuo Silva Yamamoto
StartupModelos de negocio

Marketplace

Como funcionam marketplaces, métricas como GMV e take rate, o cold start problem e a dinâmica entre supply e demand side.

Marketplace

O que é?

Um marketplace é uma plataforma que conecta compradores (demand side) e vendedores (supply side), facilitando transações entre eles e monetizando por meio de uma comissão sobre o volume transacionado.

Diferente de um e-commerce tradicional que vende seu próprio estoque, o marketplace não possui inventory — ele é o intermediário que cria valor ao reunir oferta e demanda em um só lugar.

Como funciona

Dinâmica de dois lados

O marketplace opera com network effects de dois lados:

  1. Mais vendedores atraem mais compradores (maior variedade)
  2. Mais compradores atraem mais vendedores (maior demanda)

Esse ciclo virtuoso cria um moat (barreira competitiva) difícil de replicar.

Métricas chave

MétricaDescriçãoReferência
GMV (Gross Merchandise Value)Volume total de transações na plataformaIndica escala
Take RateComissão que o marketplace cobra sobre o GMV5-30% dependendo do setor
Liquidity% de listagens que resultam em transação> 15% saudável
Repeat Rate% de clientes que compram novamenteIndica retenção
Receita do Marketplace = GMV × Take Rate

Exemplo:
GMV mensal = R$ 10.000.000
Take Rate = 15%
Receita = R$ 1.500.000

Supply-side vs Demand-side

AspectoSupply (Vendedores)Demand (Compradores)
AquisiçãoGeralmente mais difícilSegue a oferta
RetençãoDepende de volume de vendasDepende de experiência
QualidadeCuradoria / vetting necessárioReviews e ratings
MonetizaçãoComissão, assinatura, destaqueGratuito ou taxa de serviço

O Cold Start Problem

O maior desafio de um marketplace é o problema do ovo e da galinha: compradores não vêm sem vendedores, e vendedores não vêm sem compradores.

Estratégias para resolver:

  1. Single-player mode — Oferecer valor para um lado mesmo sem o outro (ex: ferramenta grátis para vendedores)
  2. Subsidiar um lado — Pagar ou dar incentivos para o lado mais difícil de atrair
  3. Começar nicho — Focar em um mercado vertical específico antes de expandir
  4. Curadoria manual — Selecionar e convidar os primeiros fornecedores manualmente
  5. Fake it till you make it — Agregar oferta de outras fontes inicialmente

Por que importa?

Marketplaces são modelos de negócio poderosos por vários motivos:

  • Asset-light — Não precisa de estoque ou operação própria
  • Network effects — Quanto maior, mais difícil de competir (winner-takes-most)
  • Escalabilidade — Custo marginal por transação tende a zero
  • Dados — Acesso a dados de oferta e demanda gera insights únicos
  • Valuation — Marketplaces com liquidez recebem valuations premium

Porém, são difíceis de construir: o cold start problem mata a maioria antes de atingir massa crítica.

Exemplo prático

Uma startup cria um marketplace de serviços de design:

  • Supply: 500 designers freelancers cadastrados
  • Demand: 2.000 empresas buscando designers
  • GMV mensal: R$ 800.000 em projetos
  • Take rate: 20% (10% do designer + 10% da empresa)
  • Receita mensal: R$ 160.000
  • Liquidity: 25% dos projetos publicados resultam em contratação

Para escalar, a startup precisa manter a qualidade do supply (curadoria) enquanto aumenta o demand (marketing B2B).

Termos relacionados

  • B2B vs B2C — Marketplaces podem ser B2B, B2C ou B2B2C
  • Unit Economics — Análise de GMV, take rate e margem por transação
  • Viral Coefficient — Network effects são a versão estrutural da viralidade