Kaique Mitsuo Silva Yamamoto
CertificadosAPIMECCnpi t

CNPI-T — Analista Técnico (APIMEC)

Guia completo do CNPI-T da APIMEC para analistas técnicos (gráficos): provas CB e CT1 com 9 módulos detalhados cobrindo Análise Técnica Clássica, Elliott, Candlesticks, indicadores técnicos, gestão de risco e trading systems.

CNPI-T — Analista Técnico (APIMEC)

O CNPI-T (Certificado Nacional do Profissional de Investimento — Técnico) é a certificação da APIMEC para analistas de valores mobiliários com foco em análise técnica. Habilita o profissional a emitir relatórios de análise gráfica e técnica com reconhecimento da CVM, cobrindo desde a Teoria de Dow e padrões gráficos clássicos até sistemas automatizados de trading.


Estrutura do Exame

O CNPI-T exige aprovação em duas provas:

ProvaConteúdoQuestõesDuração
CBConteúdo Brasileiro60 questões1h50min
CT1Conteúdo Técnico 160 questões1h50min

O CB deve ser aprovado antes do CT1. O conteúdo do CB é compartilhado entre todas as certificações APIMEC — consulte a página CNPI para o detalhamento completo do CB.


CT1 — Conteúdo Técnico 1

O CT1 avalia o domínio de análise técnica clássica e moderna, gestão de risco operacional e construção/avaliação de sistemas de trading. A prova cobre 9 grandes módulos:


Módulo 1 — Fundamentos da Análise Técnica

  • Três premissas da análise técnica: o mercado desconta tudo; preços se movem em tendências; a história se repete
  • História: Charles Dow (Dow Jones, Wall Street Journal), William Hamilton, Robert Rhea; evolução da AT moderna
  • Dow Theory: os seis princípios fundamentais; tendência primária (longo prazo), secundária (correções) e terciária (curto prazo)
  • Análise técnica vs análise fundamentalista: diferenças, complementaridade, limitações de cada abordagem
  • Timeframes: gráficos intraday (1min, 5min, 15min), diário, semanal, mensal — uso e interpretação por horizonte de investimento

Módulo 2 — Conceito de Tendência

  • Suporte: nível onde a demanda historicamente supera a oferta; como identificar; múltiplos toques
  • Resistência: nível onde a oferta historicamente supera a demanda; inversão de papel (suporte que vira resistência)
  • Linhas de tendência de alta (LTA): conexão de fundos ascendentes; inclinação e validade; rompimento
  • Linhas de tendência de baixa (LTB): conexão de topos descendentes; confirmação de reversão no rompimento
  • Canais de preço: canal de alta, canal de baixa, canal horizontal; negociação dentro do canal
  • Correção de Fibonacci: níveis 23,6%, 38,2%, 50%, 61,8%, 78,6%; uso como suporte/resistência potencial
  • Extensões de Fibonacci: 127,2%, 161,8% — projeção de alvos em ondas

Módulo 3 — Figuras Gráficas

Figuras de Continuação

  • Bandeiras (flag): alta e baixa; consolidação em canal estreito após movimento forte; projeção de alvo (mastro)
  • Flâmulas (pennant): triângulo simétrico pequeno após movimento forte; volume declinante; rompimento
  • Triângulo ascendente: topo horizontal + fundo ascendente; viés de alta; rompimento acima do topo plano
  • Triângulo descendente: fundo horizontal + topo descendente; viés de baixa; rompimento abaixo do fundo plano
  • Triângulo simétrico: compressão de volatilidade; neutro; rompimento define direção
  • Cunha (wedge): ascendente (sinal de baixa) e descendente (sinal de alta); distinção de canais e triângulos

Figuras de Reversão

  • Ombro-Cabeça-Ombro (OCO): formação clássica de topo; linha de pescoço (neckline); projeção de alvo
  • OCO invertido: fundo; reversão de baixa para alta; confirmação no rompimento da neckline
  • Duplo Topo (M): dois topos no mesmo nível; confirmação com rompimento do vale intermediário
  • Duplo Fundo (W): dois fundos no mesmo nível; confirmação com rompimento do pico intermediário
  • Triplo Topo e Triplo Fundo: variações com três pontos; mais raros; maior confiabilidade
  • Gap de exaustão vs gap de fuga vs gap de medida: identificação e implicações

Módulo 4 — Teoria das Ondas de Elliott

  • Princípio básico: mercados se movem em padrões de ondas — 5 ondas impulsivas + 3 ondas corretivas (ciclo 5-3)
  • Regras invioláveis das ondas impulsivas:
    • Onda 2 não pode retraçar mais de 100% da onda 1
    • Onda 3 jamais é a mais curta entre 1, 3 e 5
    • Onda 4 não pode sobrepor a onda 1
  • Ondas impulsivas (1, 2, 3, 4, 5): características, volume, momentum de cada onda
  • Ondas corretivas (A, B, C): padrões — zigzag, flat, triângulo, combinações (double/triple three)
  • Extensão e truncamento: quando a onda 3 ou 5 estende; truncamento de onda 5
  • Grau das ondas: Grand Supercycle, Supercycle, Cycle, Primary, Intermediate, Minor, Minute, Minuette, Sub-Minuette
  • Fibonacci e Elliott: relações harmônicas entre ondas; retrações típicas (38,2%, 61,8%) e extensões (161,8%)
  • Limitações práticas: subjetividade na contagem; múltiplas contagens válidas; importância do contexto

Módulo 5 — Padrões Candlestick

Origem japonesa (Munehisa Homma, séculos XVII e XVIII); interpretação de psicologia do mercado pelo corpo e sombras.

Padrões de Reversão de Alta

  • Hammer (Martelo): corpo pequeno no topo, sombra inferior longa; fundo de tendência de baixa
  • Inverted Hammer: sombra superior longa; fundo; menos confiável isolado
  • Bullish Engulfing (Engolfo de Alta): candle de alta engolfa candle de baixa anterior; reversão forte
  • Morning Star: três candles — baixa, indecisão (doji ou pequeno), alta forte; fundo
  • Piercing Line: candle de alta fecha acima do meio do candle de baixa anterior
  • Bullish Harami: pequeno candle de alta dentro do corpo do candle de baixa anterior

Padrões de Reversão de Baixa

  • Hanging Man (Enforcado): mesma forma do Hammer, mas em topo de alta — sinal de baixa
  • Shooting Star: sombra superior longa em topo; reversão de alta para baixa
  • Bearish Engulfing: candle de baixa engolfa candle de alta; topo forte
  • Evening Star: três candles — alta, indecisão, baixa forte; topo
  • Dark Cloud Cover: candle de baixa fecha abaixo do meio do candle de alta anterior
  • Bearish Harami: pequeno candle de baixa dentro do corpo do candle de alta anterior

Padrões de Indecisão

  • Doji: abertura e fechamento no mesmo nível (ou muito próximos); equilíbrio entre compradores e vendedores
  • Doji Long-Legged: sombras longas em ambos os lados; alta indecisão
  • Dragonfly Doji: sombra inferior longa, sem sombra superior; possível reversão de alta
  • Gravestone Doji: sombra superior longa, sem sombra inferior; possível reversão de baixa
  • Spinning Top: pequeno corpo, sombras dos dois lados; indecisão menos intensa que o doji

Módulo 6 — Indicadores Técnicos

Médias Móveis

  • SMA (Média Móvel Simples): cálculo, lag, períodos clássicos (9, 20, 50, 200)
  • EMA (Média Móvel Exponencial): maior peso para preços recentes; menos lag; cálculo
  • Cruzamento de médias: golden cross (50/200 alta), death cross (50/200 baixa)
  • Uso como suporte e resistência dinâmicos

MACD (Moving Average Convergence Divergence)

  • Linha MACD = EMA(12) − EMA(26); linha de sinal = EMA(9) do MACD; histograma
  • Sinal de compra: cruzamento da linha MACD acima da linha de sinal
  • Divergência de alta: preço faz fundo mais baixo, MACD faz fundo mais alto — sinal de reversão
  • Divergência de baixa: preço faz topo mais alto, MACD faz topo mais baixo

RSI (Relative Strength Index)

  • Fórmula: RSI = 100 − 100/(1 + RS); RS = média de fechamentos de alta / média de fechamentos de baixa
  • Sobrecompra (acima de 70) e sobrevenda (abaixo de 30) — uso em contexto de tendência
  • Divergências de RSI com o preço: mais confiáveis que os níveis absolutos
  • Falhas de swing no RSI: sinal adicional de reversão

Bandas de Bollinger

  • Banda central = SMA(20); banda superior = SMA(20) + 2σ; banda inferior = SMA(20) − 2σ
  • Squeeze: contração das bandas = baixa volatilidade, antecede movimento forte
  • Expansão: volatilidade crescente; seguir a tendência do rompimento
  • Preço toca a banda superior/inferior: não é sinal automático de reversão

Volume e OBV

  • Volume como confirmador de tendência: alta com volume crescente = tendência forte; alta com volume decrescente = fraqueza
  • OBV (On Balance Volume): acumula/subtrai volume conforme direção do fechamento; divergência com preço
  • Volume por preço (Volume Profile): identificar zonas de alto e baixo volume histórico

Estocástico (%K e %D)

  • %K = (Fechamento − Mínimo_n) / (Máximo_n − Mínimo_n) × 100
  • %D = média móvel de %K (sinal)
  • Sobrecompra (acima de 80), sobrevenda (abaixo de 20)
  • Cruzamento de %K abaixo de %D em sobrevenda = sinal de compra; acima = sinal de venda

Módulo 7 — Gerenciamento de Risco Operacional

  • Stop loss: tipos (fixo, percentual, técnico, por volatilidade); importância da disciplina no cumprimento
  • Position sizing: risco por operação em % do capital; cálculo do tamanho da posição
  • Risco × Retorno (R:R): mínimo aconselhável 1:2; cálculo com base no stop e no alvo técnico
  • Kelly Criterion: fórmula para tamanho ótimo de posição considerando taxa de acerto e R:R; variação fracionária
  • Drawdown: máximo drawdown; drawdown médio; impacto psicológico e matemático
  • Sequência de perdas: probabilidade de N perdas consecutivas; impacto no capital; importância do sizing conservador
  • Diversificação de ativos e estratégias: correlação; redução de risco do portfólio

Módulo 8 — Estratégias Operacionais

  • Day Trade: operações abertas e encerradas no mesmo pregão; tributação 20% sobre ganho; requisitos de margem
  • Swing Trade: posições de 2 a 15 dias; aproveitamento de movimentos de curto prazo; gestão de overnight
  • Position Trade: posições de semanas a meses; baseado em tendência primária; menos monitoramento
  • Setups clássicos: Hi-Lo Activator, bandas de Bollinger, cruzamento de médias, IFR2 (Larry Connors), Setup 9.1 (Stormer)
  • Filtros de operação: volume, horário de liquidez, volatilidade mínima, evitar antes de eventos macroeconômicos
  • Registro de operações (trade journal): importância; métricas a acompanhar; análise retrospectiva

Módulo 9 — Trading Systems (Sistemas Automatizados)

  • O que é um trading system: conjunto de regras objetivas para entrada, saída e gestão de risco; eliminação de viés emocional
  • Backtest: teste histórico das regras; amostra adequada (mínimo 200–300 operações); cuidados com dados survivorship bias
  • Overfitting (sobreajuste): ajustar demais o sistema ao passado; funciona no histórico mas falha no futuro; regularização
  • Walk-forward analysis: dividir histórico em in-sample (otimização) e out-of-sample (validação); simulação de uso real
  • Métricas de performance de sistemas:
    • Profit Factor: lucro total / prejuízo total; mínimo 1,5 para sistemas viáveis
    • Taxa de acerto (win rate): % de operações positivas; isolado não é suficiente
    • Payoff ratio: ganho médio / perda média; compensar taxa de acerto baixa
    • Maximum drawdown: pior sequência de perdas; define o tamanho máximo da posição
    • Sharpe Ratio: retorno / desvio padrão; comparação entre sistemas
  • Robustez: performance estável em diferentes períodos, mercados e parâmetros — sinal de edge real

Para Quem é o CNPI-T

  • Traders que desejam formalizar a atividade como analistas técnicos
  • Analistas de corretoras e plataformas que emitem análises gráficas
  • Profissionais de mesa de operações e proprietary trading
  • Gestores que usam análise técnica como complemento na tomada de decisão
  • Candidatos ao CNPI-P que querem absorver o CT1

Referências e Materiais

On this page