Kaique Mitsuo Silva Yamamoto
Mercado financeiro

Otimização de Carteira com Restrições

Framework prático para portfolio optimization com limites reais de risco, liquidez, turnover e concentração.

Problema real de otimização

Carteiras ótimas sem restrições costumam ser inviáveis na prática. O objetivo profissional é otimizar retorno/risco respeitando limites operacionais.

Função objetivo (visão prática)

Maximizar utilidade ajustada a risco e custo:

max: retorno esperado - penalidade de risco - penalidade de turnover - custo de transação

Sujeito a restrições:

  • limite de peso por ativo,
  • limite por setor/fator,
  • orçamento total,
  • limite de alavancagem,
  • liquidez mínima.

Restrições mais úteis

  • Long-only: evita alocação negativa.
  • Cap por ativo: reduz concentração.
  • Cap setorial: controla risco temático.
  • Turnover máximo: reduz custo e instabilidade.
  • Tracking error target: controla desvio de benchmark.

Robustez de estimativas

O maior risco da otimização é erro de estimativa em retorno esperado e covariância. Práticas recomendadas:

  • shrinkage na matriz de covariância,
  • retorno esperado conservador por fator,
  • rebalanceamento com banda para evitar microajustes,
  • stress de correlação em cenários extremos.

Processo operacional

  1. Defina universo investível e filtros de liquidez.
  2. Estime risco/retorno com método robusto.
  3. Defina restrições e orçamento de risco.
  4. Rode otimização e aplique filtros de sanidade.
  5. Simule custos de rebalanceamento.
  6. Acompanhe aderência a limites em produção.

Métricas de controle

  • Contribuição de risco por ativo e fator.
  • Concentração (HHI ou peso dos top ativos).
  • Turnover mensal e custo realizado.
  • Drawdown e tempo de recuperação.
  • Tracking error e information ratio.

Checklist de produção

  • Restrições coerentes com mandato.
  • Estimativas robustas e documentadas.
  • Custos e liquidez embutidos na otimização.
  • Limites monitorados em tempo real.
  • Procedimento de rebalanceamento definido.

Referências

  • Markowitz, H. (1952). Portfolio Selection. Journal of Finance. DOI: 10.1111/j.1540-6261.1952.tb01525.x.
  • Ledoit, O.; Wolf, M. (2004). A Well-Conditioned Estimator for Large-Dimensional Covariance Matrices. Journal of Multivariate Analysis. DOI: 10.1016/S0047-259X(03)00096-4.
  • Grinold, R.; Kahn, R. (1999). Active Portfolio Management. McGraw-Hill.